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| February 23, 2018

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HEIHO

O Heiho é a estratégia. Trata-se de uma disciplina que faz parte da história da humanidade desde a Antiguidade. Particularmente destacada em todas as nações que protagonizaram guerras, ela adquiriu diferentes formas, tratamentos e diretrizes em cada cultura, e evoluiu, de modo que se obtivesse mais eficiência nos resultados.
No Oriente, algumas obras que tratam do assunto tornaram-se célebres, como “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, e “Go Rin no Sho”
(O Livro dos Cinco Anéis) de Miyamoto Musashi. Na história do Japão, repleta de guerras e conflitos, a estratégia desempenhou um importante papel, auxiliando os líderes militares a realizarem as melhores manobras.

 

Conhecida como Heiho, no Japão, em algumas escolas assumiu também o nome de Bohiyako, que compunha um raciocínio voltado para o campo de batalha e as ações do inimigo. No Kaze no Ryu Bugei, particularmente, é uma das matérias mais fortes, fazendo parte integral do caminho do aluno desde a graduação de Uchideshi, que obtém sua formação em tal matéria com oito anos de estudo.

 

A formação militar e as manobras utilizadas em suas atuações fizeram da estratégia o temor dos que não a conheciam. De fato, a estratégia permeia a maioria das disciplinas físicas, uma vez que se interage constantemente com um oponente, em cada técnica aplicada. Por outro lado, ela abrange uma esfera de atuação ainda maior, quando aplicada no campo de batalha, através do planejamento das táticas de guerra. No mundo atual, em que as guerras voltaram-se ao campo mercadológico e corporativo, as estratégias assumem papel decisivo. Na área de administração e marketing, os antigos jargões e manobras de guerra são usados até hoje, porém transportados a uma nova realidade econômica.

 

De modo simplificado, estratégia seria “o que fazer” e “por que fazer”. É a determinação das táticas a serem aplicadas em campo. Várias escolas dedicaram parte do aprendizado ao assunto que, aliado a estudos de táticas, treinamentos e teorias, compunham a estratégia militar como uma arte em si própria. No século XVII, tais disciplinas eram assim divididas:
Heiho – estratégia militar; Senjo Jutsu – táticas, manobras e manejamento de tropas; Soren – treinamento e preparação de tropas (formação, movimentação etc.);
Gungaku – teoria da arte militar (estudo de sua natureza e princípios).

 

No Bujutsu, de uma forma prática, algumas das estratégias básicas de combate se diferem das táticas utilizadas no cotidiano. Todas são exaustivamente treinadas pelos praticantes, a saber: Ataque – possibilita empregar uma técnica antes que o oponente o faça. Baseia-se na iniciativa, no elemento-surpresa e na velocidade.
Contra-ataque – possibilita aplicar uma técnica quando o oponente iniciou sua investida. Baseia-se no timing, na reação bem-calculada que usa o ataque inimigo como meio de defesa.

 

Defesa – consiste em neutralizar a ação do oponente, impedindo que este atinja seu objetivo.
Todas elas possuem vantagens e desvantagens e, para que sejam utilizadas com sucesso, envolvem o estudo detalhado e a integração de diversos fatores, como: percepção, coordenação, respiração, auto-controle etc.

 

 

KAKUTO NO BUJUTSU

É uma disciplina significativa do Bugei, que representa a forma e a realidade da guerra.
Kakuto significa “lutar, agarrar, combater”; e Bujutsu, “arte de guerra”. Foi definida, posteriormente, pelos mestres como a “arte de guerra voltada à realidade”.

 

 

Desde os primórdios, as técnicas de guerra possuem uma visão muito diferente das situações vividas dentro das teorias e práticas de um dojô, por isso as escolas tradicionais guardam, em um currículo denominado “Okuden”, as formas reais e aplicativas.
O Kakuto no Bujutsu teve sua ascensão principalmente na era Tokugawa, quando as guerras e conflitos eram mais constantes.

 

A formação psicológica proporcionada pelo Kakuto no Bujutsu possibilita ao praticante uma percepção da realidade de guerra, que se diferencia da prática conduzida por um professor, instrutor ou mestre.

A forma tradicional direcionada para fins da realidade de guerra inclui a utilização de qualquer objeto que esteja disponível em uma batalha. Sendo assim, a guerra não possuía regras nem mandamentos que exigissem que fossem utilizadas estas ou aquelas armas.

Dentre os mais famosos nomes, se encontra Takuji Sato, que viveu no final da era Tokugawa, exatamente no período de transição com a era Meiji, que restauraria anos depois as artes de Koryu transformando-as em Gendai Budo, que é uma forma mais apropriada para a educação, e não para a guerra.Acredita-se que somente as linhagens detentoras das artes determinadas Koryu é que ainda possuem tal matéria. O Bujutsu, de forma geral, sempre se preocupou com a realidade vivida em seus ensinamentos, e talvez essa seja a maneira mais apropriada de explicar a criação de tantos Ryu, já que a cada dia o aprendizado era executado e ensinado de maneira diferente da forma inicial.

Algumas escolas optaram por ensinar a forma tradicional, imutável, e foram posteriormente reconhecidas pela manutenção da tradição e cultura.

Outras preferiram ensinar o Kakuto no Bujutsu de maneira livre e vivencial.

De uma forma ou de outra, são poucas as escolas e estilos que ainda se preocupam com essa matéria, que tem formas de ensinamento muito peculiares e características, sendo fácil para um mestre perceber alguma fraude ou algo parecido.

Por mais que tenha evoluído, a metodologia aplicada no Kakuto no Bujutsu ainda é a mesma de sua origem.