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| September 22, 2017

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KATANA - A HISTÓRIA DA ESPADA JAPONESA


  • A HISTÓRIA DA ESPADA JAPONESA

    Durante do período Jokoto (800 dC), as espadas usadas eram retas, com fio simples ou duplo e pobremente temperadas. Não havia um desenho padrão, e eram atadas à cintura por meio de cordas. Evidências históricas sugerem que elas feitas por artesãos chineses e coreanos que trabalhavam no Japão. As primeiras espadas que se tornaram a arma padrão do samurai foram feitas pelo ferreiro Amakuni, em meados do século VIII.

     

    A adoção do eficiente fio curvado foi um grande passo tecnológico para a época, que coincidiu com as melhorias nas técnicas de temperamento. A era de ouro da manufatura de espadas deu-se sete séculos mais tarde, entre 1394 e 1427. De qualquer modo, quando se estabeleceu a infantaria de massa em substituição à cavalaria das épocas anteriores, a pesada espada do tipo “tachi”, que servia ao cavaleiro montado, foi substituída pela leve kataná, mais curta. Antes, o cavaleiro portava a espada com a lâmina para baixo e a desembainhava em um movimento para cima, de modo que não ferisse o cavalo. Já a kataná passou a ser portada com a lâmina voltada para cima.

     

    Tal mudança na forma de porte da espada significou o início de um método de combate completamente novo, que teria um efeito dramático no modo como o samurai encarava a guerra.
    Com a espada segura firmemente na cintura, o samurai a sacava e cortava rapidamente num só movimento, defendendo-se sem precisar sacar primeiro e só então adotar uma postura defensiva. Desde então, o Kenjutsu (uso da espada já sacada) e o Battojutsu (saque e corte imediato) tornaram-se disciplinas separadas, porém paralelas. Várias escolas e sistemas se estabeleceram, então, para o ensino de ambas.

     

    Durante o Sengoku Jidai, a falta de um governo central forte encorajou os daimyo a lutar entre si para expandir territórios. Cresceu a demanda por armas, e os ferreiros iniciaram uma produção em massa de espadas de baixa qualidade. Antes, o aço era cuidadosamente elaborado, forjado e temperado num processo artesanal. Depois, passou a ser importado de forma já pronta, para facilitar a forja rápida. A espada resultante, embora bela, era menos durável e imprecisa. A verdadeira beleza da espada está em sua precisão, durabilidade e aparência. Só quando esses três elementos estão combinados, a arma terá boa performance nas mãos do espadachim.

     

    Espadas que avariam em contato com um objeto duro, ou que revelam uma parte interna de baixa qualidade, não podem ser consideradas legítimas “Nippon To” (espadas japonesas). Não merecem compartilhar da reputação estabelecida pelas lâminas dos grandes mestres ferreiros, que produziam com métodos tradicionais. Hoje, apenas as escolas de Toyama e Nakamura fazem o teste de corte (tameshigiri). No final da batalha de Sekigahara, em 1600, venceu o general Tokugawa Ieyasu, e seguiram-se trezentos anos de paz.

     

    Nesse período, não havia outro modo de testar uma espada senão pelo corte de corpos de criminosos mortos. Portar espada era proibido, segundo a lei de 1876. Desde que surgiu um interesse no Ocidente pelas artes marciais do Japão, estipulou-se que a verdadeira arte da espada morreu com a restauração Meiji, ou logo após o uso de espadas pelos samurais ter sido esquecido. Alguns historiadores afirmam que a arte da espada começou a declinar após a batalha de Sekigahara, no período Tokugawa, e nunca mais foi recuperada. A conclusão é que a arte da espada morreu no final do século XIX.

     

    Felizmente, nada disso é verdade. Em 1875, no começo da era Meiji, o Japão vislumbrava seu moderno futuro industrial e a Toyama Gakko, sob nova direção, provou ser o veículo a carregar a tradição da espada rumo ao século XX. Fundada para treinar guerreiros militares, além de outras disciplinas, sua base era o “Gunto Soho”, ou “método da espada militar”. Essa combinação de técnicas de antigas escolas famosas, principalmente a Omori Ryu, e sua adoção pelo exército, levou mais tarde à fundação da escola Toyama de espada, em 1925. Outras escolas, entretanto, não obtiveram o mesmo sucesso. Escolas que antes ensinavam os antigos métodos de samurai agora voltavam-se ao mercado de massa. Em 1870, muitos dojos na área de Tóquio ensinavam técnicas menos vigorosas. Quando o Kenjutsu dos samurais tornou-se o Kendo do praticante comum, muito da tradição foi perdido.

     

    Porém, as artes tradicionais ainda sobreviviam em algumas escolas militares. Até hoje, o Battojutsu permanece pouco conhecido fora dos círculos militares. A beleza dessa arte consiste em sua simplicidade e eficiência mortal, sem posturas artificiais ou teatrais. Ela é simplesmente uma maneira eficiente, prática e rápida de cortar um oponente num decisivo ato de auto-defesa. Seu poder destrutivo é devastador. O Battojutsu pode apenas ser aprendido em uma escola tradicional onde os métodos antigos, baseados numa experiência de combate real, ainda são seguidos. Então, o método do corte pode ser compreendido em sua plenitude.

    IAIJUTSU

    Iaijutsu é a arte de desembainhar a espada praticada com as técnicas de combate, que vão sendo ensinadas durante o treinamento. Praticado hoje como um dispositivo automático de saque, favorece a autodisciplina, o aprimoramento da coordenação, e melhora a postura. Na maioria dos estilos, as técnicas reais de corte são válidas mas, para a prática do Iaijutsu com fins de defesa ou de guerra, a exatidão é absolutamente necessária.

     

    Algumas versões afirmam que as artes da espada que conhecemos hoje começou, provavelmente, com Iizasa Choisai, o fundador do Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu. Essa escola incluiu o uso de muitas armas, como a lança, e o arremesso de facas.
    Uma grande parte do seu currículo consistia no saque rápido e no uso imediato da espada na autodefesa. Esta seção de seu estudo é chamada Iaijutsu.

     

    Hayashizaki Jinsuke Shigenobu (1542-1621) tem a reputação de ter recebido uma inspiração divina que conduziu ao desenvolvimento de sua arte, chamada Muso Shinden Jushin Ryu Battojutsu. Batto significa simplesmente “cortar com a espada”. O ponto em comum a ambas escolas, como em muitas outras escolas de espada que tratavam predominantemente do corte com a espada, era que essa arte era praticada na forma de katás.

     

    Como então pode uma arte marcial ser realmente eficaz, sendo praticada através de kata, contra um oponente imaginário?
    Essa é uma pergunta muito mais difícil do que parece. O problema começa ao se tentar a definir ‘eficaz’, e ao considerar que ‘resultado’ é desejado. Naturalmente, no kata não há nenhuma oportunidade de se provar sua técnica no combate repetidas vezes porque, como no kenjutsu, não há nenhuma oportunidade de modificar seus movimentos em resposta àqueles de seu oponente.

     

    Sob a ótica das artes marciais do mundo moderno, é fácil tratar superficialmente as artes de espada tradicionais e de criticá-las como impróprias, simplesmente porque não andamos pela rua carregando uma espada.

     

     

    O artista marcial tem como dever evitar o combate. Isso era explicado há milhares de anos por Sun Tzu na “Arte da Guerra” e mais tarde por mestres da estratégia. O artista marcial que treina inteiramente e corretamente, dirigido por um sensei, desenvolverá uma habilidade de reconhecer situações difíceis e de evitá-las antes que se transformem em um problema, minimizará o conflito, ou manterá um estado de corpo-mente que não ofereça oportunidades para um agressor. Este é o sentido do Iaijutsu.

     

     

    O kanji (caráter) ‘ I ‘ pode também ser lido como ‘itte’ e ‘ai’ como ‘awasu’ na frase ‘awasu do ni do kyu do itte do ni de Tsune’ que significa: “onde quer que você vá e o que quer que você faça, esteja preparado sempre”. Estar preparado não é só ter um estado de mente ciente, mas tê-lo treinado rigorosamente de modo que, se necessário, uma técnica decisiva possa ser usada para finalizar um conflito. Com uma espada, naturalmente, o corte é mortal. Portanto, o estudo dos Kata é muito difícil


  • A VIDA DE MIYAMOTO MUSASHI

    De seu nascimento até Seki Ga Hara. Shinmen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin, mais conhecido como Miyamoto Musashi, nasceu em 1584, no vilarejo de Miyamoto, na província de Mimasaka. Os ancestrais de Musashi eram uma ramificação do poderoso clan Harima, originário da província de Kyushu, a ilha mais meridional do Japão. Seu avô, Hirada Shokan, era um servidor de Shinmen Iga No Kami Sudeshige, senhor do castelo de Takeyama e um importante senhor feudal da época. Quando Musashi tinha sete anos de idade, seu pai, Munisai, morreu ou desapareceu (não se sabe exatamente). Já que sua mãe havia falecido tempos antes, o menino foi colocado sobre a tutela de um sacerdote (seu tio materno).

     

    Com isto encontramos Musashi como órfão durante a época das campanhas de unificação do país de Taiko Hideyoshi. Filho de samurai, durante uma das épocas mais violentas da história do Japão, os escritos lhe descrevem como um jovem de caráter tumultuado, com grande força de vontade, e fisicamente muito desenvolvido para sua idade. Seu tio insistiu para que estudasse bushido, e isto, unido a seu físico avantajado e seu caráter violento, de imediato o colocou envolvido em combates. Guardam-se registros de uma luta na qual derrotou e matou um guerreiro adulto, tendo apenas treze anos de idade. Seu oponente era Arima Kigei, um samurai veterano da escola de artes marciais Shinto. Musashi o lançou ao solo e lhe golpeava a cabeça com um pedaço de madeira cada vez que tentava levantar-se.

     

    O combate seguinte, pelo que se sabe, aconteceu quando ele tinha cerca de 16 anos, no qual ele derrotou Tadashima Akiyama. Na mesma época, abandonou sua casa para começar uma peregrinação na qual aperfeiçoou suas habilidades através de inúmeros combates travados tanto em lutas individuais quanto em batalhas. Finalmente se estabeleceu com a idade de 50 anos, já que considerou haver aprendido tudo o que podia aprender na base de vagabundear. Durante esse período da história do Japão houveram muitos guerreiros engajados em peregrinações similares, alguns de forma solitária, como Musashi; outros sobre tutela e patrocínio de alguma escola de marcial ou senhor feudal.

     

    Durante todo este período de sua vida, Musashi se manteve relativamente à parte da sociedade, dedicando-se exclusivamente a busca de iluminação através do Caminho da Espada. Dedicado somente a aperfeiçoar suas habilidades, viveu de uma forma bastante precária, vagabundeando pelo país e dormindo ao relento no inverno mais rigoroso, sem se preocupar com seu aspecto físico, nem tomar esposa, nem se dedicar a alguma profissão, absorto em seus estudos. Nunca foi visto em um banho publico, já que não queria ser surpreendido sem suas armas. Seu aspecto estava de acordo com seu modo de vida.
    Na batalha de Seki Ga Hara, onde Hideyoshi tornou-se dirigente máximo do Japão, Musashi estava entre as fileiras do exército Ashikaga e lutando contra Ieyasu. Em outras palavras, estava entre o exército derrotado. Sobreviveu não somente aos três dias que duraram a batalha, na qual morreram cerca de 70.000 guerreiros, como também a subseqüente caça e massacre aos sobreviventes do exército derrotado.

    A VINGANÇA DOS YOSHIOKAS

    Com 21 anos chegou a capital, Kyoto. Este foi o cenário da vingança contra a família Yoshioka. Os Yoshiokas haviam sido, durante gerações, os instrutores oficiais das artes de guerra da casa Ashikaga, a qual pertenciam os Shoguns antes do período de Hideyoshi. O pai de Musashi, Munisai, havia sido convidado anos antes pelo Shogun Ashikaga Yoshiaka a comparecer em Kyoto. Munisai era um esgrimista competente, e um especialista no manejo do Jitte. Segundo se conta, Munisai lutou contra três dos Yoshiokas, vencendo aos dois primeiros, porém sendo totalmente derrotado no terceiro duelo. Estes fatos possivelmente tiveram alguma relação com a atitude de Musashi contra a família Yoshioka.

     

    Musashi duelou primeiro com Yoshioka Seijiro, o cabeça do clan. O duelo teve como local um descampado fora da capital. Seijiro estava armado com uma espada verdadeira, e Musashi com uma de madeira. No primeiro ataque, Musashi lançou Seijiro por terra, onde o golpeou violentamente. Pela vergonha de ser derrotado por alguém portando uma espada de madeira, Seijiro cortou seu cabelo de samurai.
    Após este combate, Musashi permaneceu na capital. Sua presença enfureceu aos Yoshiokas, já que lhes recordava a humilhação infringida ao líder do clan. O segundo dos irmãos, Denshichiro desafiou Musashi a duelar.

     

    Seguindo uma tática premeditada, Musashi atrasou sua chegada ao local, causando impaciência e irritação em seu oponente, e fazendo acreditar que havia desistido do duelo. Quando finalmente apareceu, segundos depois de começar o combate havia atingido e destrocado o crânio de Denshichiro com um único golpe de sua espada de madeira. A casa Yoshioka ainda organizou um terceiro duelo, desta vez contra Hanshichiro, o filho mais velho de Seijiro. Hanshichiro era somente um menino de cerca de dez anos de idade, pelo qual, na realidade, Musashi se enfrentaria com toda a corte de guarda-costas que lhe acompanhavam. O lugar acertado para o combate era um bosque próximo a cidade.

     

    Desta vez Musashi chegou com muita antecedência e se escondeu para esperar à chegada de seus oponentes. O menino chegou vestido formalmente com uma armadura, e acompanhado de um grande número de samurais da família. Musashi esperou escondido, e quando acreditavam que nesta ocasião ele havia pensado melhor e abandonado Kyoto, apareceu repentinamente em meio deles, liquidando Hanshichiro. Abrindo caminho a força entre a corte de guerreiros, com uma espada em cada mão, conseguiu escapar da turba enfurecida. Os anos de aprimoramento. Após o episódio dos Yoshiokas, Musashi continuou suas andanças pelo Japão, chegando a se converter em uma lenda viva. Encontram-se menções a seu nome em numerosos registros, diários e monumentos, canções populares e relatos, desde Tókio a Kyushu. Antes de haver completado 29 anos já havia participado de cerca de sessenta duelos, tendo vencido todos.

     

    Em 1605, o mesmo ano do confronto com os Yoshiokas, Musashi visitou o templo Zen de Hozoin, ao sul de Kyoto. Este era um templo regido por monges guerreiros. Ali teve um encontro com o principal lutador do templo. O monge era um especialista em Naginata(bastão longo com uma espada na ponta), e esta foi à arma que empregou no duelo. Musashi o enfrentou, armado somente com sua espada de madeira, e o derrotou em todos os combates que mantiveram. Após isto, permaneceu no templo durante uma temporada, estudando técnicas de luta e o Zen. Nota: O templo de Hozoin ainda está ativo atualmente, os monges seguem praticando as técnicas de luta . É interessante realçar que a palavra “Osho”, que atualmente significa “Monge”, nos tempos de Musashi queria dizer “Mestre em Naginata”.

     

    Alguns dos duelos de que se tem conhecimento, mostram a atitude de Musashi de adaptar-se a cada combate, de acordo com a situação e do momento, sem adotar formas predeterminadas, tal como ano depois escreveria no Livro dos Cinco Anéis. Em uma ocasião enfrentou um especialista em no manejo de Kusarikama (uma corrente com um foice na extremidade), e em lugar de usar a espada, sacou um punhal, entrando dentro da zona em que a corrente, devido ao movimento contrário, não podia manobrar, e apunhalou seu oponente.

     

    Em outra ocasião se encontrava cortando madeira para fabricar um arco, quando foi atacado repentinamente por um individuo. Usando o arco como se tratasse de uma espada, golpeou seu atacante na cabeça, causando-lhe a morte.
    Ao largo de suas viagens, passou pela província de Izumo, onde visitou a casa do Daimyo local, o Senhor Matsudaira, solicitando permissão para duelar contra seu lutador mais experiente. A permissão foi concedida para lutar com um guerreiro especialista no manejo do Bo.

     

    Já que se tratava de um duelo de pratica, não se usariam armas de verdade, e Musashi optou por duas espadas de madeira. Com uma arma em cada mão, encurralou seu oponente, e o desarmou golpeando em seus braços. Diante da surpresa de seus seguidores, Matsudaira pediu a Musashi que lutasse contra ele.
    Quando Matsudaira se preparava para colocar-se em posição de combate, preparando uma guarda formal, Musashi atacou bruscamente a espada do Daimyo, partindo-a em duas e deixando-lhe desarmado, inclusive antes de haver podido se preparar. Matsudaira reconheceu sua derrota, e Musashi permaneceu na casa durante algum tempo, na qualidade de professor do Daimyo.

    O DUELO NA ILHA GANRYU

    O combate mais famoso de Musashi aconteceu em 1612, quando se encontrava em Ogura, na província de Bunzen. Seu adversário era Sasaki Kojiro, um samurai que havia desenvolvido uma técnica muito potente e especial de luta, conhecida como Tsubame-gaeshi (a Parada da andorinha), inspirada no movimento do rabo das andorinhas durante o vôo. Kojiro estava a serviço do senhor da província, Hosokawa Tadaoki. A permissão para o duelo foi concedida, e se decidiu que teria lutar às 8 horas da manhã do dia seguinte, na ilha de Ganryu, situada a alguns quilômetros de Ogura. Aquela noite, Musashi abandonou o lugar onde se alojava, e foi à casa de um antigo conhecido. Isto inspirou o rumor de que a fama de invencível que tinha a técnica de Kojiro havia assustado Musashi e este se preparava para fugir.

     

    Na manhã seguinte, Musashi foi levado de barca para a ilha onde aconteceria o duelo, e durante o caminho, se dedicou a tecer um cordel de papel trançado para amarrar as mangas de seu kimono, e depois, a esculpir uma espada de madeira utilizando o remo de reserva.

    Quando o bote chegou ao lugar do combate, Kojiro e seus seguidores ficaram assombrados ante ao aspecto de Musashi, espada de madeira em mãos, as mangas amarradas com tiras de papel, e um lenço amarrado à cabeça.

     

    Kojiro desembainhou sua espada, e jogou a bainha para o lado. Musashi lhe provocou dizendo que, já que se havia se desfeito da bainha, não voltaria a usá-la, ao mesmo tempo em que se colocava em guarda. Enfurecido Kojiro lançou o primeiro golpe, que arrancou o lenço da cabeça de Musashi, ao mesmo tempo em que este, esquivando por pouco, golpeou a cabeça de Kojiro com a espada de madeira, matando-o.

     

     

    Depois deste combate, Musashi não voltou a usar a espada de verdade em nenhum duelo. Era invencível, e a partir de então se dedicou a estudar e a buscar a forma de compreender plenamente o Caminho do Kendo.
    Em 1614 e 1615, Musashi teve a oportunidade de adquirir mais experiência em batalha de grande escala. O Shogun Ieyasu Tokugawa organizou um ataque à fortaleza de Osaka, onde os seguidores do clan Ashikaga haviam se rebelado contra o governo do Shogun. Musashi se uniu as forças dos Tokugawa, lutando agora contra aqueles com quem que havia apoiado quando era jovem, em Seki Ga Hara.

    OS ÚLTIMOS ANOS – O LIVRO DOS CINCO ANÉIS

    De acordo com seus próprios escritos, Musashi começou a compreender o Caminho da Estratégia quando alcançou os 50 anos de idade. Junto com seu filho adotivo Iori, um órfão que havia encontrado em suas viagens, se fixou em Ogura no ano de 1634. Não voltou a sair nunca mais da ilha de Kyushu.
    Após seis anos em Ogura, Musashi foi convidado a passar algum tempo como hóspede de Hosokawa Churi, senhor do Castelo de Kumamoto. Passou alguns anos com Lorde Churi, tempo durante o qual se dedicou a ensinar e a pintar. Em 1643 se retirou para levar uma vida de eremita na caverna de Reigendo, lugar onde escreveu o “Livro dos Cinco Anéis”, ao qual dedicou a seu pupilo Teruo Magonojo.

    Terminou de escrever o livro algumas semanas antes de sua morte, em 19 de maio de 1645.
    Musashi é conhecido no Japão como “Kensei”, que significa algo como “Santo da Espada”. O Livro dos Cinco Anéis encabeça qualquer bibliografia sobre Kendo, e é único entre todos os livros sobre artes marciais, no sentido de que trata da estratégia de guerra em grande escala exatamente da mesma forma que do combate individual. O livro não é uma tese sobre estratégia, e sim, usando as palavras do próprio Musashi: “um guia para aqueles que desejam aprender acerca da estratégia”.

     

    Como tal, seu conteúdo sempre está mais além do que os estudantes são capazes de perceber. Quanto mais se lê o livro, mais se encontra em suas páginas. Trata-se, de alguma maneira, da “a última vontade” de Musashi, a chave para abrir o caminho que ele havia percorrido. Como outros ronin de sua época, Musashi poderia ter fundado uma escola quando rondava os trinta anos, sendo já famoso e respeitado, e ter se dedicado a desfrutar do êxito conquistado. Sem hesitar, a opção que seguiu foi a de continuar solitário com seu estudo, tal como havia feito até então. Inclusive em seus últimos anos, abandonou a vida confortável que desfrutava no castelo de Kumamoto, e viveu o resto de seus dias em uma caverna, solitário, e dedicado a contemplação e a escrever o que havia aprendido.

     

    Escreveu que “quando se compreende o Caminho da Estratégia, não existe uma coisa sequer que não se possa compreender, e” “pode ver o Caminho em todas as cosas”. Por fim, se converteu em um mestre em quase todas as artes dos ofícios. Realizou obras primas de pintura, mais valorizadas que de qualquer outro pintor japonês. Foi um mestre na arte da caligrafia, realizou esculturas em madeira, trabalhos em metal, e inclusive fundou uma escola de artesãos “Tsuba”.

     

    Também se diz que escreveu poemas e canções, ainda que nenhuma destas tenha se conservado. Suas obras estavam assinadas habitualmente com seu selo “Musashi”, e também com o sobrenome “Niten”. Niten significa “dos céus” e este é o nome que deu a sua “escola” de estratégia.

     

    Tal como escreveu: “estude os Caminhos de todas as profissões”. E evidentemente foi o primeiro a seguir seu próprio conselho. Musashi escreveu sobre os diversos aspectos do Kendo, de tal forma que cada um pode estudar segundo seu nível. Um principiante pode tirar proveito ao nível de principiante, assim como um especialista pode captar sutilezas ao nível de especialista.

     

     

    Sua obra não se aplica somente a estratégia militar, e sim a qualquer situação da qual é necessário usar de estratégia. Os homens de negócios japoneses usam o “Livro dos Cinco Anéis” como um manual de gestão empresarial, desenvolvendo campanhas de vendas tal como se fossem operações militares. E funcione bem ou não, depende simplesmente de quão bem se compreendeu os Princípios da Estratégia.

    DOWNLOADS – LIVROS

    MUSASHI – EIJI YOSHIKAWA – VOLUME 01


    MUSASHI – EIJI YOSHIKAWA – VOLUME 02


    MUSASHI – GORIN NO SHO


    SUN TZU – A ARTE DA GUERRA


    SAMURAI – A HISTÓRIA DE UM KAMIKAZE

  • DOCUMENTÁRIO SOBRE ESPADAS SAMURAIS