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| May 23, 2017

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HISTÓRIA DO KOBUDÔ DE OKINAWA

  • A História do Kobudo de Okinawa é muito difícil de se contar, porque quase todos os documentos sobre esta Arte Marcial foram destruídos nos combates, bombardeios e incêndios que aconteceram durante a segunda guerra mundial.
    Entretanto, no século XII , apareceram senhores regionais chamados Aji, com suas forças emergidas de seus castelos fortificados chamados Gusuku. Logo estas forças foram divididas em três pequenos reinos, mantiveram guerras contínuas e internas de 1326 até 1429. Esta foi a melhor época para o desenvolvimento das Artes Marciais, perfeitas técnicas de combate. Em 1429, Sho Hashi uniu à ilha de Okinawa e formou o Reino do Ryukyu. Durante os séculos XIV e XVI, um período conhecido como a “Idade Dourada do Comércio”, o Reino florescia como um centro de comércio com a China e outras nações. Entretanto, este comércio foi constantemente ameaçado por piratas, então os marinheiros de Okinawa necessitados em proteger-se em terras estrangeiras desenvolveram técnicas de autodefesa.

    Cerca 1580, Toyotomi Hideyoshi declarou mais vez uma lei que se proibiu a posse de armas, a fim de restaurar a paz e prosperidade no Reino do Ryukyu pobre. Isto ajudou prevenir a perda desnecessária de vidas dentre as pessoas e conter as guerras civis. Esta lei deixou mais uma vez os okinawanos sem defesas contra os Samurais japoneses, estes os únicos a ter permissão portar armas.

     

    Em 1609, o Clã Satsuma atacou e varreu as defesas de Okinawa. Os nativos utilizavam apenas punhais, ineficazes contra o grande arsenal samuraico e navios de guerra. Os únicos instrumentos que os fazendeiros e pescadores tinham eram as ferramentas simples de trabalho.
    As Artes Marciais únicas de Okinawa, o Karatê-Do (To-De) e o Kobudo (Ti-Gua) nasceram nesta época. Por longos anos, as técnicas de Artes Marciais Orientais foram incorporadas ao Okinawa Karatê-Do e Kobudo para estabelecer o que conhecemos hoje. Os métodos chineses de luta (Kempo ou Chuan-Fa) foram uma combinação de técnicas com mãos vazias e com armas, como exemplo o San-ku-chu, antecessor do Sai. As técnicas de bastão já eram utilizadas por okinawanos para proteção contra agressores. Algumas novas armas foram feitas usando como ferramentas os utensílios dos agricultores, por exemplo, o Nunchaku, a Tonfa e o Kamá que foi a única ferramenta com lâmina de metal utilizada naquela época.

    Estilos distintos e variados emergiram durante a Era do Reino Ryukyu: o Shuri-Te (Shorin-Ryu) foi centralizado em Shuri, capital do Reino Ryukyu, Naha-Te (Shorei-Ryu e Goju-Ryu) no centro comercial de Naha, e Tomari-Te (Motobu-Ryu e Matsubayashi-Ryu) no distrito portuário de Tomari localizado entre Shuri e Naha. Cada estilo teve seus mestres, os quais, estabeleceram às tradições preservadas até os nossos dias.

    As técnicas de Karatê-Do e Kobudo foram, por suas naturezas guardadas em segredo. Assim, há poucos registros históricos, sendo que foram praticamente passadas oralmente de pai para filho ou de mestre para discípulo. Desde a invasão pelos Satsuma, Okinawa foi controlada por um governo fraco sob rédia do Shogunato, até a restauração Meiji, na metade do século 19 onde, seguiu-se a dissolução do reino, e em 1879 acontece à anexação de Okinawa a nação japonesa como uma prefeitura (Estado), novas instituições de Karatê-Do e Kobudo foram incorporadas ao sistema Meiji de educação pública.

    Lá seguindo um movimento de modernização educacional foram feitas apresentações dessas Artes Marciais ao público geral: durante a Era Taisho (cerca 1910-1926), demonstrações foram feitas por todo o Japão continental, e nos anos da Era Showa as escolas ou estilos – Ryu foram criados, como exemplo:
    Shorin-Ryu, Shorei-Ryu, Goju-Ryu, Uechi-Ryu, Isshin-Ryu, Ryuei-Ryu e Matsubayashi-Ryu. Hoje existem muitas sub-escolas (ryuha) e facções (kaiha). Cada uma contando vantagem por possuir Kata distinto, mas, sempre derivado dos movimentos básicos (Kihon-Kata) comuns para todas escolas como uma sistematização de técnicas de ataque e defesa.

    Treinamento rigoroso por anos de Karatê-Do e Kobudo cultiva um grande vigor espiritual e físico. Assim essas artes tradicionais contribuem para construir um caráter forte, um sentido de responsabilidade social e o desenvolvimento saudável de corpos e mentes, ofertam estas disciplinas marciais e agora esportivas, o Okinawa Karatê-Do e Kobudo hoje dão inspiração para pessoas por todo o mundo.

    O Kobudo Moderno foi introduzido por Shinko Matayoshi (1888 – 1947), este de uma família rica da região de Naha. Seu treinamento do Kobu-Jutsu começou na adolescência e incluía Bo-Jutsu, Kamá-Jutsu, Eku-Jutsu, Tonfa-Jutsu e Nunchaku-Jutsu. Na idade de 22 anos, ele se aventurou na Manchúria pelo norte do Japão.

    Lá ele uniu-se um bando de bandidos e aprendeu várias outras artes de armas, incluindo o arco e flecha (Yabusame), fazendo de seu método único entre outros estilos de Okinawa de Kobu-Jutsu. Mais Tarde, voltou a Okinawa, trazendo de Fuchou e Xangai (China), mais artes de armas além de acupuntura, ervas medicinais e uma outra forma de Boxe Shaolin (Shoreiji-Kempo). Shinko Matayoshi, junto com Gichin Funakoshi (precursor do Karatê-Do japonês – Shotokan), foram os primeiros a demonstrar o Okinawa Kobudo no Japão continental em 1915.

    Em 1921, com a visita do Imperador Hirohito em Okinawa, Matayoshi mostra o seu Kobudo em uma demonstração de Karatê-Do Goju-Ryu do Mestre Chojun Miyagi. Shimpo Matayoshi (1922- 1997), Hanshi 10º Dan, filho de Shinko, começa seu treinamento de Artes Marciais em idade de oito anos sob a tutela de Chotoku Kyan (Shorin-Ryu).

    Em 1934, começou a treinar Karatê-Do e Kobudo sob a tutela do pai. Em 1935, passa a estudar com o Mestre Gokenki , chinês radicado em Okinawa, aprendendo o Katá Hakutsuru (Forma da Garça Branca) que a seu pai tinha sido ensinado. Depois da morte do pai, ele continuou o legado, assumido as responsabilidades e técnicas ensinadas.
    Em 1970, ele forma a Federação de Kobudo de Okinawa (Zen Okinawa Kobudo Renmei) e até sua morte em 1997, foi o conselheiro técnico para todos estilos do Okinawa Kobudo.
    Ele foi também o único karateca a aprender o Kata Hakutsuru diretamente de um mestre Chinês autêntico.
    Em suas viagens demonstrando seu estilo único de Kobudô , ele foi constantemente solicitado a demonstrar o Hakutsuru, o qual, ele nunca ensinou abertamente para qualquer um. Seu conhecimento sobre a Forma da Garça Branca foi incomparável.

    KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN

    A paixão por armas okinawanas que via em filmes de artes marciais, levou o Professor José Koei Nagata a desenvolver um método próprio de Kobudô. Exaustivas técnicas aprimoradas através de livros, fitas de vídeo e com o Professor David Valentim (Kobudô Shinshukan) em conjunto com suas experiências pessoais, formulou–se o Kobudô Kyokushinkaikan.
    Baseado em estudo da arte de Okinawa Kobudô, desenvolveu e aprimorou técnicas de Bô, Kama, Nunchaku, Sai, Katana, etc.

    O Kobudô Kyokushinkaikan tem a pedra fundamental o estilo de Okinawa, mas também há aspectos modernos com a complementação da arte filipina de escrima / Kali.
    O professor José Koei Nagata inclusive já competiu em Torneios de Kobudô e chegou a ganhar em alguns deles (Sulamericano e Ultimate Test – Estados Unidos).
    Também ministrou em diversas cidades brasileiras cursos voltados a segurança pessoal no caso da Tonfa (Cacetete americano), que é uma arma muito eficaz e dinâmica.

     

    A arma Tonfa foi incorporada pelos nortes americanos que adaptaram para uso na área de segurança e Defesa Pessoal, porisso a Tonfa é conhecido mundialmente como cacetete americano.

    O Kobudô Kyokushinkaikan, arma Tonfa foi adaptado dos movimentos do Kihon Geiko e ainda com conceitos de Kali / Escrima Filipina. Utilizando movimentos circulares, de sabaki (esquivas), além de torções e imobilizações; a tonfa é uma arma muito requisitada para cursos e palestras.
    O uso da Tonfa é bem dinâmica utilizando-a como bloqueio, e com fortes ataques com a parte lateral da haste e com as pontas. Há também aplicações giratórias em que multiplica a força aplicada. Pode-se, inclusive, fazer torções e aplicações de chaves. Assim a Tonfa, tendo aplicações variadas e completas, foi adotada por diversas forças policiais de todo o globo terrestre.

  • BASTÃO : BÔ ou KUN

     

    A utilização de um pedaço de madeira para se defender atravessa muito tempo atrás. Desde idades tenras, o homem empregou este instrumento para sua própria defesa, de apoio a caminhadas e de instrumento agrícola.
    Com o passar dos tempos estas técnicas foram aperfeiçoadas e transformadas em poderosas armas de combate. Um simples pedaço de madeira, em mãos de peritos transforma-se em uma letal arma de combate. O bastão por ser prático, e a arma de base para muitos outros empregados. O bastão fortalece os punhos e braços, trabalhando o tônus muscular e coordenação, sendo eficazmente comprovadas em combate letal.

    Na dimensão japonesa da arte de combate, no entanto, a madeira não foi (pelo menos durante a era feudal) um material primário utilizado na manufatura de armas, mas o ferro e o aço. Porém, constituiu uma fértil, embora secundária, dimensão cuja potencialidade estratégica foi explorada, desenvolvida e sistematizada até vários métodos começarem a tomar forma, cada método completo e efetivo dentro e fora dela mesma.

    Por causa do fato delas serem comparativamente menos perigosa para a prática que uma lâmina, o bastão e várias outras armas de madeira eram usualmente utilizadas em dojo de treinamentos de escolas de bujutsu, onde as técnicas de armas longas e espadas eram ensinadas.

    Com o tempo, os uso relativo das armas de madeira se desenvolveu tão bem que, o combate real usando o bastão ou a espada de madeira, foi engajado por guerreiros (mesmo em auto-defesa contra um injusto e potencialmente letal ataque estando o adversário armado ou não).

     

     

    O emprego de réplicas de madeira de armas de aço ou de ferro possibilitou um resultado letal não desejado ser minimizado e, em casos de habilidade excepcional, eliminou quase que totalmente essa chance de acidente.
    Esse fato ajuda a explicar a popularidade do bastão entre os membros da classe social que abominava a idéia do derramamento de sangue de seus companheiros.

    Padres, monges, viajantes, pessoas comuns e até poetas usaram o bastão ou outro instrumento de madeira, muitos dos quais são usados até hoje com vários propósitos. Até os guerreiros competiam em teste de habilidade utilizando estas armas.
    De acordo com o dicionário, o bastão é qualquer coisa alongada de larga variedade.

    Especificamente, dentro da dimensão militar da cultura japonesa, no entanto, o bastão ou um instrumento similar de madeira era usado primariamente no treinamento dos guerreiros em técnicas que, em combates reais, envolveriam o uso de uma lâmina de aço mortal. Assim, encontram-se tantas especializações no uso do bastão quantas forem especializações com a utilização de armas, pois a madeira substituiu quase que todas elas na época.

    A relação entre elas duas o bastão e a arma que ele representa foi tão íntima que a técnica e a estratégia de uma era virtualmente indistinguível da outra numa troca simbiótica. Desta forma, um espadachim poderia empregar o bastão curvo imitando o formato de uma espada com a mesma precisão de uma lâmina.

    As técnicas (jutsu) criadas pelo emprego efetivo destas armas de madeira, no entanto, foram substancialmente as mesmas empregadas quando usadas com o ferro ou aço. Cada uma, no entanto, também se desenvolveu independentemente da disciplina com a qual estava relacionada, produzindo seu próprio legado e corpo de literatura.

    A primeira especialização, naturalmente é representada pela arte do bastão longo com a espessura do Bo – o Hasaku-bo ou o Rokushaku-bo.

    A segunda é representada pela arte do Jo ou bo ou ainda Han-bo.

     

    Um dos métodos particulares no uso do Jo ou Bo é um que é praticado nos dias atuais, não tanto quanto arte real de combate – Jojutsu – mas com as disciplinas que emprega a forma do Jodo.
    Tanto o Jo quanto o Bo possuem em sua particularidade a preservação da sua forma inicial, ou seja, na prática de artes de guerra (jojutsu e bojutsu).

     

  •  

    KENJUTSU

    O Kenjutsu (a arte da espada) é reconhecido geralmente como arte combativa.

    Começa sempre com a espada desembainhada, já com uma intenção agressiva. Os ensinos sistemáticos históricos primeiramente registrados da espada longa japonesa começaram aproximadamente em 800 d.C. Desde esse tempo, de cerca de 1.200 estilos (escolas) foram documentados. Muitos praticantes do kenjutsu começaram a questionar se uma compreensão mais elevada poderia ser conseguida com a prática e o estudo com a espada. Assim, o kenshi (espadachim) transformou a “arte da espada” (kenjutsu) em um “caminho da espada” (kendo). Daí surgiu o kendô, por volta do século II.

    Kenjutsu é considerado um bujutsu clássico (arte da guerra ou arte marcial), sendo formulado bem antes do reforma de Meiji (o clássico/moderno, que divide a linha). O Ryu clássico do Kenjutsu (escolas) tende a ser completamente secreto no que diz respeito à prática de suas técnicas, sendo muito fechada a pessoas de fora da Arte. O Ryu clássico do Kenjutsu é o mais próximo ao treinamento clássico do guerreiro no mundo moderno. Os exemplos são Yagyu Shinkage Ryu, e Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu.

    A utilização da Katana, dentro da vestimenta do Kenjutsu tradicional, consiste geralmente do hakama, no keikogi e da obi (faixa).

    Os Kata (seqüência de movimentos formulados ou exercícios) é a maneira usual de aprender os movimentos intricados requeridos. Inicialmente pratica-se individualmente, mas pode-se praticar em dupla ou até mesmo com múltiplos indivíduos. A ferramenta padrão da prática é a bokken (espada de madeira simulada) ou uma lâmina real. O corte real, e o golpe da lâmina contra feixes amarrados e caules de bambu, chamado de tameshigiri, dão à prática mais avançada do Ryusha (praticante de um estilo) o impacto real da lâmina de encontro a um alvo.

    Geralmente (mas não sempre) em artes marciais japonesas, os objetivos do “Do” são para melhorar o interior, enquanto os do “jutsu” concentram-se em ensinar as técnicas da guerra. Note que isto é uma convenção moderna, não algo que reflete o uso histórico dos sufixos: o que nós chamamos agora de Kenjutsu pode uma vez ter sido usado como o Kendo. A convenção da terminologia de jutsu/do tal como é usada no ocidente foi popularizada em sua maior parte por Draeger. Definindo terminologicamente, a arte de ganhar lutas reais com espadas reais é kenjutsu. O objetivo preliminar do kenjutsu é vitória sobre oponentes; o objetivo preliminar do kendô é melhorar-se com o estudo da espada.

    O kendô tem também um aspecto forte, grandes campeonatos, assistidos avidamente pelo público japonês. Assim, o Kendô pode ser considerado o aspecto filosófico/esportivo japonês.

    Em termos de aprendizagem, o Kenjutsu tem um currículo mais completo. No Kendô, a necessidade limita a escala das técnicas e dos alvos. Os praticantes de Kenjutsu não usam geralmente o shinai no treinamento, preferindo usar bokken (espadas de madeira) ou Kataná (espadas de aço) a fim de preservar as técnicas do corte da luta real da espada. O treinamento de Kenjutsu consiste em praticar a técnica do corte e executar o Katá com o parceiro. Por razões de segurança, a prática livre é raramente feita com Kataná.

    KENJUTSU – HISTÓRICO

    A história da cultura japonesa é repleta de episódios com a espada. De fato, um dos três objetos de posse sagrados de um imperador, era a espada. Os outros dois são a jóia e o espelho.

    A lenda antiga do xintoísmo diz que uma divindade mergulhou uma Kataná no mar e das gotas d’água que pingaram da ponta nasceram as ilhas do Japão. Um cínico caracterizou a história do Japão como muitos povos que lutam sobre pouca terra. A espada e seu uso foram dados forma pela história da terra e de seus povos. Primeiramente, a lâmina transformou-se uma arma muito eficaz do corte, uniforme de encontro à armadura. E dois, sua distribuição mudou, o que permitiu a ascensão de um estilo distinto da espada japonesa.

    A fim de cultivar e melhorar a espada, como uma arma e como uma forma de arte, duas circunstâncias foram requeridas. Primeiramente, deveria haver uma estabilidade suficiente para que fabricantes pudessem praticar seu comércio sem riscos de mercado. A maioria das batalhas lendárias do folclore japonês ocorreu neste período de tempo. No início, as batalhas eram entre a raça que nós chamamos agora de japoneses, e os povos indígenas, chamados Ainu ou Emishi. As batalhas eram furiosas, e o líder do exército do imperador foi chamado de Taishogun, encurtado mais tarde para Shogun, a autoridade militar última do Japão.

    Mais tarde, a guerra de Gempei entre os Taira e os clãs de Miyamoto, documentadas como as guerras entre os clãs que se esforçam para a supremacia. Miyamoto ganhou eventualmente, colocando a reivindicação ao título Shogun em seu líder; depois do qual o imperador declarou que somente os descendentes de Miyamoto poderiam colocar a reivindicação ao título.

    No fim do século I, três grandes generais levantaram-se, cada um na sucessão, e todos unificaram o país sob uma liderança: Oda Nobunaga, Hideyoshi Toyotomi, e Ieyesu Tokugawa. Quando Tokugawa derrubou seu último rival na batalha de Sekigahara em setembro de 1600, unificou o País sob um governo pela primeira vez em 800 anos. Porque Ieyesu poderia reivindicar o sangue de Miyamoto, reivindicou também o título de Shogun para si próprio e seus herdeiros. Sua era, Kamakura moveu o centro do governo para Edo, chamado hoje Tóquio. Nos 268 anos seguintes, o Shogunato Tokugawa governou a terra em paz.

    E com Paz, veio o declínio na prática da espada, entretanto pequenos grupos tradicionalistas recusaram-se a esquecer os modos antigos. Os escritos destes Kenshi são citados ainda hoje como exemplos de grandes obras. Miyamoto Musashi e Tsunemoto Yamamoto são considerados ainda como os Kensai (santos da espada) no folclore japonês. Com a paz, vieram o guerreiro ou o ronin desempregado (literalmente “acene o homem”). Tokugawa tentou converter guerreiros em burocratas, para funcionar o governo. O Tokugawa pode ter governado na paz, mas prenderam um punho de ferro para fazer assim. A parte de sua maneira controlar o fluxo da sociedade japonesa devia estabelecer um sistema de castas.

    Havia quatro classes dos povos em ordem descendente, em samurai (realeza), em fazendeiros, em artesãos, e em comerciantes. Aqueles que eram tradicionais guerreiros de fazendeiros não poderiam usar nenhuma das espadas mais longas, somente o samurai poderia desgastar o emblema oficial do escritório, a espada. E Tokugawa fechou também as costas de Japão ao mundo exterior, executando todos os intrusos e permitindo somente que um único console pequeno perto de Kagoshima no sul seja visitado uma vez um ano por comerciantes de Portugal.
    No geral, a espada e sua prática continuaram a declinar durante este tempo em uma maneira gradual. Em 1854, os navios do americanos inscreveram a baía de Tóquio e exigiram negociar aberto com o Japão.

    Mas sobre Tokugawa era exercido pressão por forças internas para virar o jogo. A única maneira que Tokugawa poderia ver para preservar qualquer medida de controle limitado devia retornar a potência ao imperador. E assim em 1868, Tokugawa desceu sua posição, retornando a potência ao imperador Meiji, começando o reforma Meiji.

    O Japão tinha incorporado a volta industrial. O samurai debandou, oficialmente, pelo imperador Meiji. Mais tarde, foram excluídos do emblema oficial do escritório, desgastar das duas espadas, em 1877. Isto deu a ascensão à última batalha grande, a rebelião do Satsuma em dezembro 1877 a janeiro 1878. O Satsuma recusou obedecer e lutou com o exército recrutado do governo (com armas modernas) em Kagoshima no sul. O samurai foi morto e seu martírio transformou-se um símbolo para os praticantes.

    O período moderno da espada foi caracterizado por um declínio maior e mais uniforme. O Samurai foi forçado a dar exibições a fim tentar ganhar dinheiro.
    As artes da espada são divididas em diversas maneiras. Primeiramente é pelo tipo, ken ou o iai (chamado às vezes batto). Também ao mesmo tempo dividem-se pela origem, as três famílias de artes da espada; Estilos de Muso (“esvaziar”), de Kage (“sombra”), e de Shinto (“espada nova”). Alguns tipos misturam este, a depender da origem e da aplicação. Dentro de cada tipo estão os três estilos

     

  • SHURIKEN

    Na língua japonesa Shuriken significa:
    Shu – Mão
    Ri – Que também lê-se ura – costas, no meio de, em, inverter, interior, palma, atrás, forro, lado errado.
    Ken – Que também lê-se Tsuguri – sabre, espada, lâmina, ponteiro de relógio.

    Há dois tipos básicos de shuriken: bo shuriken (lâminas longas e finas) e hira shuriken, ou shaken (lâminas chatas, ou em forma de estrela ou losango).
    O método básico de lançar o shuriken varia de uma escola para outra, sendo as principais diferenças na forma das lâminas e no seu uso.

    Segundo o texto de contribuição da escola de Susumo Motoshima do Japão, a origem do arremesso de pequenas lâminas vem do Ganritsu Ryu, fundado por Matsubayashi Henyasai, um espadachim profissional a serviço do 18o. senhor de Matsuhiro em Kanei, por volta de 1624. Essa escola originou o Katono, ou Izu Ryu, fundado por um samurai de Sendai, chamado Fujita Hirohide de Katono, também conhecido como Katono Izu, aluno de Matsubayashi.

    Segundo Motoshima Sensei, este foi o estilo que influenciou as principais escolas.
    Ele foi pioneiro no lançamento de agulhas, com cerca de 10cm e 20g, muitas das quais ele usava em seu cabelo. A agulha era segurada entre o dedo médio e o indicador e atirada como um dardo moderno, nos olhos do oponente. Dizia-se que ele podia atirar duas agulhas simultaneamente à figura de um cavalo, e acertar cada um de seus cascos.

    De acordo com a contribuição de Iwasaki Sensei muitos foram os estilos que a partir daí surgiram no Japão antigo como por exemplo:

    Enmei Ryu
    O famoso espadachim Miyamoto Musashi é tido como fundador dessa escola, que estuda o lançamento de uma lâmina de 40cm, provavelmente uma “tanto” (faca). Há uma história de um duelo entre Musashi e Shishido, expert em Kussari-gama (arma desenvolvida para defesa contra a espada). Quando Shishido puxou sua corrente, Musashi jogou uma adaga e o perfurou no peito, matando-o

    SHIRAI RYU

    O Shirai Ryu foi fundado por Shirai Toru Yoshikane, nascido em 1783 em Okayama. Aos 8 anos de idade, ele começou a aprender a arte da espada com Ida Shimpachiro do Kiji Ryu, e aos 14 mudou-se para Tóquio e treinou diariamente na escola de espada Nakanishi, do Itto Ryu, e começou a ensinar em Okayama aos 23. Por nove anos, sua fama se espalhou e ele teve mais de 300 alunos, mas ele continuou a duvidar de sua habilidade. Nos anos subseqüentes, retornou a Edo várias vezes para treinar com seus senhores, até que eventualmente atingiu um tipo de “revelação maior” e encontrou paz com sua técnica. Após essa revelação, ele acrescentou o nome Tenshin à sua arte, que passou a ser conhecida por Tenshin Itto Ryu. O estilo de lâmina e respectivo método de lançamento que ele ensinava ficou conhecido por Shirai Ryu.

    A lâmina do shirai Ryu era um espeto de metal de 15 a 25 cm de comprimento por 6mm de diâmetro. Era pontuda numa extremidade e redonda na outra.

    NEGISHI RYU

    O Negishi Ryu foi fundado por Negishi Nobunori Shorei, sucessor de Joshu Anaka durante os últimos dias do shogunato Tokugawa.

    Negishi tornou-se aluno de Kaiho Hanpei, segundo mestre de espada do Hokushin Itto Ryu, após mostrar um promissor manejo do Shinai quando criança. Estudou em outras escolas como Araki Ryu, e também a lança do Oshima Ryu, eventualmente tornando-se líder do Kaiho Ryu, e mais tarde lecionou por vários anos. Quando a restauração Meiji ordenou a abolição das espadas, tornou-se fazendeiro, e faleceu em 1904.
    A forma básica da lâmina do Negishi Ryu é semelhante a uma caneta com uma cabeça mais larga e a outra ponta como uma bomba esguia. Pesavam cerca de 50g, e às vezes tinham um tufo de pêlos ou algodão na ponta traseira para assegurar um vôo reto.

    JIKISHIN RYU JIKISHIN RYU

    Não se sabe muito do Jikishin Ryu, e suspeita-se que é uma variação de estilo precursor do Shirai ou Negishi Ryu, ou até do Kashima Shinto Ryu, pois seu método consiste em posicionar o pé direito um passo à frente para lançar a lâmina. A principal diferença está no modo de segurar a lâmina.

    Os três dedos menores ficam dobrados, enquanto o dedo indicador aponta à frente, como se fizesse uma forma de “revólver” com a mão. A lâmina fica na sua parte interna e o polegar aplica uma leve pressão de cima pra baixo, mantendo-a firme sobre o dedo médio dobrado, e segurando a ponta oposta para baixo quando a lâmina deixa a mão. O indicador então repousa na lateral da lâmina, dando suporte. O lançamento é feito simplesmente levantando-se e abaixando-se o braço a partir da lateral, enquanto um passo à frente é dado. O braço corta como se fosse uma espada.

    TENSHIN SHODEN KATORI SHINTO RYU

    Este estilo é um dos mais famosos do Japão, com uma longa e distinta história. É uma arte composta de várias armas, estando o Shuriken incluso. Como muitas outras escolas, o Shuriken era ensinado como parte do aprendizado da espada. Há descrições de 2 tipos de lâminas. Uma é a hashi, em forma de espeto achatado, com uma ponta afiada e a outra reta.

    TATSUMI RYU

    Essa escola de artes marciais foi fundada por Tatsumi Sankyo por volta de 1500, e ainda funciona hoje. Ela ensina uma completa gama de armas, incluindo o Shuriken, assim como estratégias marciais e de campo de batalha. Detalhes sobre o Shuriken deste Ryu são escassos no presente, embora suspeite-se que o treino de Shuriken foi introduzido como arte em uma data mais recente.

    OTSUKI RYU

    Yasuda Zenjiro, mestre de Kenjutsu do Otsuki Ryu de Hiroshima, reconta que seu professor, Okamoto Munishige, um samurai do período Edo do domínio Aizu, usava o Shuriken em muitas ocasiões durante seu emprego nas forças de segurança do Xogunato. Ele carregava cerca de 12 lâminas em vários locais, incluindo no Koshita (lapela do hakama).

     IKKU RYU

    Ikku Ryu é o nome dado a um estilo relativamente moderno de shuriken, criado por um mestre da modernidade, Shirakami Ikku-ken. Ele foi aluno do mestre Naruse Kanji (falecido em 1948), que treinou espada no Yamamoto Ryu, e escreveu um livro sobre a luta com o sabre japonês, após suas experiências na guerra com a China na virada do século.

    Mestre Naruse foi aluno de Yonegawa Magoroku que, por sua vez, era aluno do supramencionado fundador do Shirai Ryu, Shirai Toru. De seu professor, Shirakami aprendeu sobre o Shirai Ryu e o Negishi Ryu, e combinou a lâmina do Shirai Ryu com o estilo de lançamento do Negishi Ryu, e formou um novo método, que envolve uma lâmina de ponta dupla.

     

  • TAMESHIGIRI

    Tameshigiri é a arte que estuda as formas de corte com a espada, simuladas em esteiras de bambu, que se assemelham ao tecido do corpo humano.
    Antigamente no Japão, se usavam corpos para o teste das lâminas, pertencentes a criminosos ou a pessoas já falecidas. A partir desses estudos é que a forma final do Kenjutsu foi alcançada.
    Em outras palavras, pode-se dizer que Tameshigiri é a prática de corte com a espada japonesa.

    Dentro de uma perspectiva clássica, o Tameshigiri faz parte do currículo do Kenjutsu, e passa a ser estudada assim que o praticante mostra noções de correta experiência adquirida com a espada de corte.
    Dentro da aplicação moderna, os primeiros materiais utilizados para esta prática são a esteira e o bambu.

    A devida aplicação prática do corte com a espada ensina a maneira mais correta da aplicação da forma real de corte.

    O praticante aprende a ter a noção da pressão que deve aplicar no corte para diferentes objetos, cortes rápidos e múltiplos nos devidos ângulos de ataque da lâmina e a controlar seu direcionamento e as consequências de seu impacto.

    A concentração mental deve ser extremamente forte, pois, com o tempo, o praticante compreende que a realização do corte perfeito se inicia no pensamento.

    Tradição e respeito são fatores principais para aqueles que conduzem a prática do Tameshigiri como ritual clássico.

    A regras são estritamente observadas no Tameshigiri. Longas horas de prática promovem a harmonia entre o primeiro corte básico e o corte em Gyaku Kesa Giri.

    Muitos mestres ainda conservam o pensamento da prática da espada japonesa no Tameshigiri, como o próprio combate em si, incentivando a prática unicamente em bambu, por acharem que este simula de forma perfeita o corpo humano.

    A realidade era vista como a forma principal na prática do Tameshigiri.

    O resultado das práticas reais de corte é freqüentemente encontrado no Nakago da espada, que era testado. Sendo assim, para entender o “mei” algum conhecimento da terminologia usada se faz necessário.

    Existem várias formas de Tameshigiri usadas nos vários locais, cada qual com sua terminologia própria. Um dos sistemas mais conhecidos é o utilizado pela família Yamada, tradicionais testadores de espadas durante o período Tokugawa.

     

     

     

     

     

     

     

  • A HISTÓRIA DA ESPADA JAPONESA – KATANA

    Durante do período Jokoto (800 dC), as espadas usadas eram retas, com fio simples ou duplo e pobremente temperadas. Não havia um desenho padrão, e eram atadas à cintura por meio de cordas. Evidências históricas sugerem que elas feitas por artesãos chineses e coreanos que trabalhavam no Japão. As primeiras espadas que se tornaram a arma padrão do samurai foram feitas pelo ferreiro Amakuni, em meados do século VIII.

    A adoção do eficiente fio curvado foi um grande passo tecnológico para a época, que coincidiu com as melhorias nas técnicas de temperamento. A era de ouro da manufatura de espadas deu-se sete séculos mais tarde, entre 1394 e 1427. De qualquer modo, quando se estabeleceu a infantaria de massa em substituição à cavalaria das épocas anteriores, a pesada espada do tipo “tachi”, que servia ao cavaleiro montado, foi substituída pela leve kataná, mais curta. Antes, o cavaleiro portava a espada com a lâmina para baixo e a desembainhava em um movimento para cima, de modo que não ferisse o cavalo. Já a kataná passou a ser portada com a lâmina voltada para cima.

    Tal mudança na forma de porte da espada significou o início de um método de combate completamente novo, que teria um efeito dramático no modo como o samurai encarava a guerra.
    Com a espada segura firmemente na cintura, o samurai a sacava e cortava rapidamente num só movimento, defendendo-se sem precisar sacar primeiro e só então adotar uma postura defensiva. Desde então, o Kenjutsu (uso da espada já sacada) e o Battojutsu (saque e corte imediato) tornaram-se disciplinas separadas, porém paralelas. Várias escolas e sistemas se estabeleceram, então, para o ensino de ambas.

    Durante o Sengoku Jidai, a falta de um governo central forte encorajou os daimyo a lutar entre si para expandir territórios. Cresceu a demanda por armas, e os ferreiros iniciaram uma produção em massa de espadas de baixa qualidade. Antes, o aço era cuidadosamente elaborado, forjado e temperado num processo artesanal. Depois, passou a ser importado de forma já pronta, para facilitar a forja rápida. A espada resultante, embora bela, era menos durável e imprecisa. A verdadeira beleza da espada está em sua precisão, durabilidade e aparência. Só quando esses três elementos estão combinados, a arma terá boa performance nas mãos do espadachim.

    Espadas que avariam em contato com um objeto duro, ou que revelam uma parte interna de baixa qualidade, não podem ser consideradas legítimas “Nippon To” (espadas japonesas). Não merecem compartilhar da reputação estabelecida pelas lâminas dos grandes mestres ferreiros, que produziam com métodos tradicionais. Hoje, apenas as escolas de Toyama e Nakamura fazem o teste de corte (tameshigiri). No final da batalha de Sekigahara, em 1600, venceu o general Tokugawa Ieyasu, e seguiram-se trezentos anos de paz.

    Nesse período, não havia outro modo de testar uma espada senão pelo corte de corpos de criminosos mortos. Portar espada era proibido, segundo a lei de 1876. Desde que surgiu um interesse no Ocidente pelas artes marciais do Japão, estipulou-se que a verdadeira arte da espada morreu com a restauração Meiji, ou logo após o uso de espadas pelos samurais ter sido esquecido. Alguns historiadores afirmam que a arte da espada começou a declinar após a batalha de Sekigahara, no período Tokugawa, e nunca mais foi recuperada. A conclusão é que a arte da espada morreu no final do século XIX.

    Felizmente, nada disso é verdade. Em 1875, no começo da era Meiji, o Japão vislumbrava seu moderno futuro industrial e a Toyama Gakko, sob nova direção, provou ser o veículo a carregar a tradição da espada rumo ao século XX. Fundada para treinar guerreiros militares, além de outras disciplinas, sua base era o “Gunto Soho”, ou “método da espada militar”. Essa combinação de técnicas de antigas escolas famosas, principalmente a Omori Ryu, e sua adoção pelo exército, levou mais tarde à fundação da escola Toyama de espada, em 1925. Outras escolas, entretanto, não obtiveram o mesmo sucesso. Escolas que antes ensinavam os antigos métodos de samurai agora voltavam-se ao mercado de massa. Em 1870, muitos dojos na área de Tóquio ensinavam técnicas menos vigorosas. Quando o Kenjutsu dos samurais tornou-se o Kendo do praticante comum, muito da tradição foi perdido.

    Porém, as artes tradicionais ainda sobreviviam em algumas escolas militares. Até hoje, o Battojutsu permanece pouco conhecido fora dos círculos militares. A beleza dessa arte consiste em sua simplicidade e eficiência mortal, sem posturas artificiais ou teatrais. Ela é simplesmente uma maneira eficiente, prática e rápida de cortar um oponente num decisivo ato de auto-defesa. Seu poder destrutivo é devastador. O Battojutsu pode apenas ser aprendido em uma escola tradicional onde os métodos antigos, baseados numa experiência de combate real, ainda são seguidos. Então, o método do corte pode ser compreendido em sua plenitude.

    IAIJUTSU

    Iaijutsu é a arte de desembainhar a espada praticada com as técnicas de combate, que vão sendo ensinadas durante o treinamento. Praticado hoje como um dispositivo automático de saque, favorece a autodisciplina, o aprimoramento da coordenação, e melhora a postura. Na maioria dos estilos, as técnicas reais de corte são válidas mas, para a prática do Iaijutsu com fins de defesa ou de guerra, a exatidão é absolutamente necessária.

    Algumas versões afirmam que as artes da espada que conhecemos hoje começou, provavelmente, com Iizasa Choisai, o fundador do Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu. Essa escola incluiu o uso de muitas armas, como a lança, e o arremesso de facas.
    Uma grande parte do seu currículo consistia no saque rápido e no uso imediato da espada na autodefesa. Esta seção de seu estudo é chamada Iaijutsu.

    Hayashizaki Jinsuke Shigenobu (1542-1621) tem a reputação de ter recebido uma inspiração divina que conduziu ao desenvolvimento de sua arte, chamada Muso Shinden Jushin Ryu Battojutsu. Batto significa simplesmente “cortar com a espada”. O ponto em comum a ambas escolas, como em muitas outras escolas de espada que tratavam predominantemente do corte com a espada, era que essa arte era praticada na forma de katás.

    Como então pode uma arte marcial ser realmente eficaz, sendo praticada através de kata, contra um oponente imaginário?
    Essa é uma pergunta muito mais difícil do que parece. O problema começa ao se tentar a definir ‘eficaz’, e ao considerar que ‘resultado’ é desejado. Naturalmente, no kata não há nenhuma oportunidade de se provar sua técnica no combate repetidas vezes porque, como no kenjutsu, não há nenhuma oportunidade de modificar seus movimentos em resposta àqueles de seu oponente.

    Sob a ótica das artes marciais do mundo moderno, é fácil tratar superficialmente as artes de espada tradicionais e de criticá-las como impróprias, simplesmente porque não andamos pela rua carregando uma espada.

    O artista marcial tem como dever evitar o combate. Isso era explicado há milhares de anos por Sun Tzu na “Arte da Guerra” e mais tarde por mestres da estratégia. O artista marcial que treina inteiramente e corretamente, dirigido por um sensei, desenvolverá uma habilidade de reconhecer situações difíceis e de evitá-las antes que se transformem em um problema, minimizará o conflito, ou manterá um estado de corpo-mente que não ofereça oportunidades para um agressor. Este é o sentido do Iaijutsu.

    O kanji (caráter) ‘ I ‘ pode também ser lido como ‘itte’ e ‘ai’ como ‘awasu’ na frase ‘awasu do ni do kyu do itte do ni de Tsune’ que significa: “onde quer que você vá e o que quer que você faça, esteja preparado sempre”. Estar preparado não é só ter um estado de mente ciente, mas tê-lo treinado rigorosamente de modo que, se necessário, uma técnica decisiva possa ser usada para finalizar um conflito. Com uma espada, naturalmente, o corte é mortal. Portanto, o estudo dos Kata é muito difícil

     

  • A VIDA DE MIYAMOTO MUSASHI

     

    Musashi1De seu nascimento até Seki Ga Hara. Shinmen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin, mais conhecido como Miyamoto Musashi, nasceu em 1584, no vilarejo de Miyamoto, na província de Mimasaka. Os ancestrais de Musashi eram uma ramificação do poderoso clan Harima, originário da província de Kyushu, a ilha mais meridional do Japão. Seu avô, Hirada Shokan, era um servidor de Shinmen Iga No Kami Sudeshige, senhor do castelo de Takeyama e um importante senhor feudal da época. Quando Musashi tinha sete anos de idade, seu pai, Munisai, morreu ou desapareceu (não se sabe exatamente). Já que sua mãe havia falecido tempos antes, o menino foi colocado sobre a tutela de um sacerdote (seu tio materno).

    Com isto encontramos Musashi como órfão durante a época das campanhas de unificação do país de Taiko Hideyoshi. Filho de samurai, durante uma das épocas mais violentas da história do Japão, os escritos lhe descrevem como um jovem de caráter tumultuado, com grande força de vontade, e fisicamente muito desenvolvido para sua idade. Seu tio insistiu para que estudasse bushido, e isto, unido a seu físico avantajado e seu caráter violento, de imediato o colocou envolvido em combates. Guardam-se registros de uma luta na qual derrotou e matou um guerreiro adulto, tendo apenas treze anos de idade. Seu oponente era Arima Kigei, um samurai veterano da escola de artes marciais Shinto. Musashi o lançou ao solo e lhe golpeava a cabeça com um pedaço de madeira cada vez que tentava levantar-se.

    Musashi3O combate seguinte, pelo que se sabe, aconteceu quando ele tinha cerca de 16 anos, no qual ele derrotou Tadashima Akiyama. Na mesma época, abandonou sua casa para começar uma peregrinação na qual aperfeiçoou suas habilidades através de inúmeros combates travados tanto em lutas individuais quanto em batalhas. Finalmente se estabeleceu com a idade de 50 anos, já que considerou haver aprendido tudo o que podia aprender na base de vagabundear. Durante esse período da história do Japão houveram muitos guerreiros engajados em peregrinações similares, alguns de forma solitária, como Musashi; outros sobre tutela e patrocínio de alguma escola de marcial ou senhor feudal.

    Musashi4Durante todo este período de sua vida, Musashi se manteve relativamente à parte da sociedade, dedicando-se exclusivamente a busca de iluminação através do Caminho da Espada. Dedicado somente a aperfeiçoar suas habilidades, viveu de uma forma bastante precária, vagabundeando pelo país e dormindo ao relento no inverno mais rigoroso, sem se preocupar com seu aspecto físico, nem tomar esposa, nem se dedicar a alguma profissão, absorto em seus estudos. Nunca foi visto em um banho publico, já que não queria ser surpreendido sem suas armas. Seu aspecto estava de acordo com seu modo de vida.
    Na batalha de Seki Ga Hara, onde Hideyoshi tornou-se dirigente máximo do Japão, Musashi estava entre as fileiras do exército Ashikaga e lutando contra Ieyasu. Em outras palavras, estava entre o exército derrotado. Sobreviveu não somente aos três dias que duraram a batalha, na qual morreram cerca de 70.000 guerreiros, como também a subseqüente caça e massacre aos sobreviventes do exército derrotado.

    A VINGANÇA DOS YOSHIOKAS

    Musashi7Com 21 anos chegou a capital, Kyoto. Este foi o cenário da vingança contra a família Yoshioka. Os Yoshiokas haviam sido, durante gerações, os instrutores oficiais das artes de guerra da casa Ashikaga, a qual pertenciam os Shoguns antes do período de Hideyoshi. O pai de Musashi, Munisai, havia sido convidado anos antes pelo Shogun Ashikaga Yoshiaka a comparecer em Kyoto. Munisai era um esgrimista competente, e um especialista no manejo do Jitte. Segundo se conta, Munisai lutou contra três dos Yoshiokas, vencendo aos dois primeiros, porém sendo totalmente derrotado no terceiro duelo. Estes fatos possivelmente tiveram alguma relação com a atitude de Musashi contra a família Yoshioka.

    Musashi duelou primeiro com Yoshioka Seijiro, o cabeça do clan. O duelo teve como local um descampado fora da capital. Seijiro estava armado com uma espada verdadeira, e Musashi com uma de madeira. No primeiro ataque, Musashi lançou Seijiro por terra, onde o golpeou violentamente. Pela vergonha de ser derrotado por alguém portando uma espada de madeira, Seijiro cortou seu cabelo de samurai.
    Após este combate, Musashi permaneceu na capital. Sua presença enfureceu aos Yoshiokas, já que lhes recordava a humilhação infringida ao líder do clan. O segundo dos irmãos, Denshichiro desafiou Musashi a duelar.

    Seguindo uma tática premeditada, Musashi atrasou sua chegada ao local, causando impaciência e irritação em seu oponente, e fazendo acreditar que havia desistido do duelo. Quando finalmente apareceu, segundos depois de começar o combate havia atingido e destrocado o crânio de Denshichiro com um único golpe de sua espada de madeira. A casa Yoshioka ainda organizou um terceiro duelo, desta vez contra Hanshichiro, o filho mais velho de Seijiro. Hanshichiro era somente um menino de cerca de dez anos de idade, pelo qual, na realidade, Musashi se enfrentaria com toda a corte de guarda-costas que lhe acompanhavam. O lugar acertado para o combate era um bosque próximo a cidade.

    Desta vez Musashi chegou com muita antecedência e se escondeu para esperar à chegada de seus oponentes. O menino chegou vestido formalmente com uma armadura, e acompanhado de um grande número de samurais da família. Musashi esperou escondido, e quando acreditavam que nesta ocasião ele havia pensado melhor e abandonado Kyoto, apareceu repentinamente em meio deles, liquidando Hanshichiro. Abrindo caminho a força entre a corte de guerreiros, com uma espada em cada mão, conseguiu escapar da turba enfurecida. Os anos de aprimoramento. Após o episódio dos Yoshiokas, Musashi continuou suas andanças pelo Japão, chegando a se converter em uma lenda viva. Encontram-se menções a seu nome em numerosos registros, diários e monumentos, canções populares e relatos, desde Tókio a Kyushu. Antes de haver completado 29 anos já havia participado de cerca de sessenta duelos, tendo vencido todos.

    Em 1605, o mesmo ano do confronto com os Yoshiokas, Musashi visitou o templo Zen de Hozoin, ao sul de Kyoto. Este era um templo regido por monges guerreiros. Ali teve um encontro com o principal lutador do templo. O monge era um especialista em Naginata(bastão longo com uma espada na ponta), e esta foi à arma que empregou no duelo. Musashi o enfrentou, armado somente com sua espada de madeira, e o derrotou em todos os combates que mantiveram. Após isto, permaneceu no templo durante uma temporada, estudando técnicas de luta e o Zen. Nota: O templo de Hozoin ainda está ativo atualmente, os monges seguem praticando as técnicas de luta . É interessante realçar que a palavra “Osho”, que atualmente significa “Monge”, nos tempos de Musashi queria dizer “Mestre em Naginata”.

    Alguns dos duelos de que se tem conhecimento, mostram a atitude de Musashi de adaptar-se a cada combate, de acordo com a situação e do momento, sem adotar formas predeterminadas, tal como ano depois escreveria no Livro dos Cinco Anéis. Em uma ocasião enfrentou um especialista em no manejo de Kusarikama (uma corrente com um foice na extremidade), e em lugar de usar a espada, sacou um punhal, entrando dentro da zona em que a corrente, devido ao movimento contrário, não podia manobrar, e apunhalou seu oponente.

    Em outra ocasião se encontrava cortando madeira para fabricar um arco, quando foi atacado repentinamente por um individuo. Usando o arco como se tratasse de uma espada, golpeou seu atacante na cabeça, causando-lhe a morte.
    Ao largo de suas viagens, passou pela província de Izumo, onde visitou a casa do Daimyo local, o Senhor Matsudaira, solicitando permissão para duelar contra seu lutador mais experiente. A permissão foi concedida para lutar com um guerreiro especialista no manejo do Bo.

    Já que se tratava de um duelo de pratica, não se usariam armas de verdade, e Musashi optou por duas espadas de madeira. Com uma arma em cada mão, encurralou seu oponente, e o desarmou golpeando em seus braços. Diante da surpresa de seus seguidores, Matsudaira pediu a Musashi que lutasse contra ele.
    Quando Matsudaira se preparava para colocar-se em posição de combate, preparando uma guarda formal, Musashi atacou bruscamente a espada do Daimyo, partindo-a em duas e deixando-lhe desarmado, inclusive antes de haver podido se preparar. Matsudaira reconheceu sua derrota, e Musashi permaneceu na casa durante algum tempo, na qualidade de professor do Daimyo.

    O DUELO NA ILHA GANRYU

    O combate mais famoso de Musashi aconteceu em 1612, quando se encontrava em Ogura, na província de Bunzen. Seu adversário era Sasaki Kojiro, um samurai que havia desenvolvido uma técnica muito potente e especial de luta, conhecida como Tsubame-gaeshi (a Parada da andorinha), inspirada no movimento do rabo das andorinhas durante o vôo. Kojiro estava a serviço do senhor da província, Hosokawa Tadaoki. A permissão para o duelo foi concedida, e se decidiu que teria lutar às 8 horas da manhã do dia seguinte, na ilha de Ganryu, situada a alguns quilômetros de Ogura. Aquela noite, Musashi abandonou o lugar onde se alojava, e foi à casa de um antigo conhecido. Isto inspirou o rumor de que a fama de invencível que tinha a técnica de Kojiro havia assustado Musashi e este se preparava para fugir.

    Musashi6Na manhã seguinte, Musashi foi levado de barca para a ilha onde aconteceria o duelo, e durante o caminho, se dedicou a tecer um cordel de papel trançado para amarrar as mangas de seu kimono, e depois, a esculpir uma espada de madeira utilizando o remo de reserva.

    Quando o bote chegou ao lugar do combate, Kojiro e seus seguidores ficaram assombrados ante ao aspecto de Musashi, espada de madeira em mãos, as mangas amarradas com tiras de papel, e um lenço amarrado à cabeça.

    Kojiro desembainhou sua espada, e jogou a bainha para o lado. Musashi lhe provocou dizendo que, já que se havia se desfeito da bainha, não voltaria a usá-la, ao mesmo tempo em que se colocava em guarda. Enfurecido Kojiro lançou o primeiro golpe, que arrancou o lenço da cabeça de Musashi, ao mesmo tempo em que este, esquivando por pouco, golpeou a cabeça de Kojiro com a espada de madeira, matando-o.

    Depois deste combate, Musashi não voltou a usar a espada de verdade em nenhum duelo. Era invencível, e a partir de então se dedicou a estudar e a buscar a forma de compreender plenamente o Caminho do Kendo.
    Em 1614 e 1615, Musashi teve a oportunidade de adquirir mais experiência em batalha de grande escala. O Shogun Ieyasu Tokugawa organizou um ataque à fortaleza de Osaka, onde os seguidores do clan Ashikaga haviam se rebelado contra o governo do Shogun. Musashi se uniu as forças dos Tokugawa, lutando agora contra aqueles com quem que havia apoiado quando era jovem, em Seki Ga Hara.

    OS ÚLTIMOS ANOS – O LIVRO DOS CINCO ANÉIS

    De acordo com seus próprios escritos, Musashi começou a compreender o Caminho da Estratégia quando alcançou os 50 anos de idade. Junto com seu filho adotivo Iori, um órfão que havia encontrado em suas viagens, se fixou em Ogura no ano de 1634. Não voltou a sair nunca mais da ilha de Kyushu.
    Após seis anos em Ogura, Musashi foi convidado a passar algum tempo como hóspede de Hosokawa Churi, senhor do Castelo de Kumamoto. Passou alguns anos com Lorde Churi, tempo durante o qual se dedicou a ensinar e a pintar. Em 1643 se retirou para levar uma vida de eremita na caverna de Reigendo, lugar onde escreveu o “Livro dos Cinco Anéis”, ao qual dedicou a seu pupilo Teruo Magonojo.

    Musashi5Terminou de escrever o livro algumas semanas antes de sua morte, em 19 de maio de 1645.
    Musashi é conhecido no Japão como “Kensei”, que significa algo como “Santo da Espada”. O Livro dos Cinco Anéis encabeça qualquer bibliografia sobre Kendo, e é único entre todos os livros sobre artes marciais, no sentido de que trata da estratégia de guerra em grande escala exatamente da mesma forma que do combate individual. O livro não é uma tese sobre estratégia, e sim, usando as palavras do próprio Musashi: “um guia para aqueles que desejam aprender acerca da estratégia”.

    Musashi8Como tal, seu conteúdo sempre está mais além do que os estudantes são capazes de perceber. Quanto mais se lê o livro, mais se encontra em suas páginas. Trata-se, de alguma maneira, da “a última vontade” de Musashi, a chave para abrir o caminho que ele havia percorrido. Como outros ronin de sua época, Musashi poderia ter fundado uma escola quando rondava os trinta anos, sendo já famoso e respeitado, e ter se dedicado a desfrutar do êxito conquistado. Sem hesitar, a opção que seguiu foi a de continuar solitário com seu estudo, tal como havia feito até então. Inclusive em seus últimos anos, abandonou a vida confortável que desfrutava no castelo de Kumamoto, e viveu o resto de seus dias em uma caverna, solitário, e dedicado a contemplação e a escrever o que havia aprendido.

    Escreveu que “quando se compreende o Caminho da Estratégia, não existe uma coisa sequer que não se possa compreender, e” “pode ver o Caminho em todas as cosas”. Por fim, se converteu em um mestre em quase todas as artes dos ofícios. Realizou obras primas de pintura, mais valorizadas que de qualquer outro pintor japonês. Foi um mestre na arte da caligrafia, realizou esculturas em madeira, trabalhos em metal, e inclusive fundou uma escola de artesãos “Tsuba”.

    Também se diz que escreveu poemas e canções, ainda que nenhuma destas tenha se conservado. Suas obras estavam assinadas habitualmente com seu selo “Musashi”, e também com o sobrenome “Niten”. Niten significa “dos céus” e este é o nome que deu a sua “escola” de estratégia.

    Tal como escreveu: “estude os Caminhos de todas as profissões”. E evidentemente foi o primeiro a seguir seu próprio conselho. Musashi escreveu sobre os diversos aspectos do Kendo, de tal forma que cada um pode estudar segundo seu nível. Um principiante pode tirar proveito ao nível de principiante, assim como um especialista pode captar sutilezas ao nível de especialista.

    Sua obra não se aplica somente a estratégia militar, e sim a qualquer situação da qual é necessário usar de estratégia. Os homens de negócios japoneses usam o “Livro dos Cinco Anéis” como um manual de gestão empresarial, desenvolvendo campanhas de vendas tal como se fossem operações militares. E funcione bem ou não, depende simplesmente de quão bem se compreendeu os Princípios da Estratégia.

     

  • TANTO

    Tantojutsu ou Arte da Faca (faca feita sob mesmo padrão das espadas japonesas) é basicamente dividido em duas formas:
    Tanto – tipo de faca usada no Japão.
    Aikuchi – tipo de faca mais curvada usada no Japão.
    A arte do Tantojutsu também pode ser dividida por idade, sendo as formas mais clássicas e Tradicionais citadas como Koryu e as formas mais modernas, que já envolvem conceitos recentes (a partir do séc. XIX) citadas como Kindai.

    A PRÁTICA DO TANTO JUTSU MEDIEVAL

    Por fazer parte da classe das Daisho, a tanto foi sempre estudada como disciplina importante para a formação de um guerreiro ou samurai. As facas, para o combate a uma distância mais curta que a espada, eram utilizadas por sua agilidade e capacidade de se harmonizar com as mais diversas angulações e direções.
    Dentro do Kaze no Ryu, ou estilo do vento, praticado pela Kyudoshin Bugei Kay Kan, descendente da Ogawa Shizen Kay, que mantém essa Tradição já há mais de 400 anos, a arte da tanto é vista sob o prisma da realidade e da não fantasia, o que a torna uma entre as mais minuciosas e perigosas.

    A arte da faca sempre teve uma atenção especial pela riqueza de movimentos e estudos de anatomia, para tornar o mais eficiente possível a aplicação das técnicas de combate com a faca.
    Hiroshi Ogawa, Saiko Shidoshi responsável máximo pela Ogawa Shizen Kay, adaptou a forma do Koryu Tantojutsu (formas clássicas) para o Kindai Tantojutsu (formas modernas) de defesas urbanas (ShiHogo e ToshiHogo).

  • KUSARI

    Conhecido como Manhiri Kusari ou Kusari Fundo, essa arma é uma corrente lastreada com pesos nas duas pontas que funciona como artefato de amarração, esmagamento ou estrangulamento de membros ou pescoço.

    Na Idade Medieval acreditava-se que o Kusari Fundo poderia produzir em sua habilidade técnica a força de mil homens. Sendo assim, era muito utilizado nos ataques e defesas tanto à curta como à longa distância.

    Existem basicamente a pratica de três tipos de Kusari: curto, médio e longo.

    Muitas teorias foram desenvolvidas a partir de um único princípio, não estabelecendo uma escola como única detentora das técnicas verdadeiras.

    O Kusari feito de aço apareceu na dimensão do Bujutsu como a primeira arma japonesa.

    Sua aplicação de combate, mesmo sozinha ou combinada com outras armas, aparenta ser muito antiga. Na verdade, ela parece ter sido o elo entre vários tamanhos e pólos de várias lendas como a do nage-gama.

     

     

    Alguns autores acreditam que ela foi largamente usada na defesa de castelos. Outros visualizam que o Kusari também é utilizado com a conexão com Kama – foice de várias espessuras.

     

     

    A arma usualmente possui uma porção de ferro muito utilizada para a proteção das mãos.

    Armas deste tipo se tornaram conhecidas como Kusari-gama e seu propósito primário era paralisar a espada do oponente ou lançar sua corrente em direção ao inimigo enquanto sua outra extremidade ficava livre para operações mortais.

    Um dos especialistas em Kusari-gama foi Yamada Shinryukan, que venceu muitos espadachins com sua corrente e foice antes de encontrar a morte nas mãos de Araki Mataemon, um espadachim que prendeu Shinryukan em uma estaca de bambu.

     

  • HEIHO

    O Heiho é a estratégia. Trata-se de uma disciplina que faz parte da história da humanidade desde a Antiguidade. Particularmente destacada em todas as nações que protagonizaram guerras, ela adquiriu diferentes formas, tratamentos e diretrizes em cada cultura, e evoluiu, de modo que se obtivesse mais eficiência nos resultados.
    No Oriente, algumas obras que tratam do assunto tornaram-se célebres, como “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, e “Go Rin no Sho”
    (O Livro dos Cinco Anéis) de Miyamoto Musashi. Na história do Japão, repleta de guerras e conflitos, a estratégia desempenhou um importante papel, auxiliando os líderes militares a realizarem as melhores manobras.

    Conhecida como Heiho, no Japão, em algumas escolas assumiu também o nome de Bohiyako, que compunha um raciocínio voltado para o campo de batalha e as ações do inimigo. No Kaze no Ryu Bugei, particularmente, é uma das matérias mais fortes, fazendo parte integral do caminho do aluno desde a graduação de Uchideshi, que obtém sua formação em tal matéria com oito anos de estudo.

    A formação militar e as manobras utilizadas em suas atuações fizeram da estratégia o temor dos que não a conheciam. De fato, a estratégia permeia a maioria das disciplinas físicas, uma vez que se interage constantemente com um oponente, em cada técnica aplicada. Por outro lado, ela abrange uma esfera de atuação ainda maior, quando aplicada no campo de batalha, através do planejamento das táticas de guerra. No mundo atual, em que as guerras voltaram-se ao campo mercadológico e corporativo, as estratégias assumem papel decisivo. Na área de administração e marketing, os antigos jargões e manobras de guerra são usados até hoje, porém transportados a uma nova realidade econômica.

    De modo simplificado, estratégia seria “o que fazer” e “por que fazer”. É a determinação das táticas a serem aplicadas em campo. Várias escolas dedicaram parte do aprendizado ao assunto que, aliado a estudos de táticas, treinamentos e teorias, compunham a estratégia militar como uma arte em si própria. No século XVII, tais disciplinas eram assim divididas:
    Heiho – estratégia militar; Senjo Jutsu – táticas, manobras e manejamento de tropas; Soren – treinamento e preparação de tropas (formação, movimentação etc.);
    Gungaku – teoria da arte militar (estudo de sua natureza e princípios).

    No Bujutsu, de uma forma prática, algumas das estratégias básicas de combate se diferem das táticas utilizadas no cotidiano. Todas são exaustivamente treinadas pelos praticantes, a saber: Ataque – possibilita empregar uma técnica antes que o oponente o faça. Baseia-se na iniciativa, no elemento-surpresa e na velocidade.
    Contra-ataque – possibilita aplicar uma técnica quando o oponente iniciou sua investida. Baseia-se no timing, na reação bem-calculada que usa o ataque inimigo como meio de defesa.

    Defesa – consiste em neutralizar a ação do oponente, impedindo que este atinja seu objetivo.
    Todas elas possuem vantagens e desvantagens e, para que sejam utilizadas com sucesso, envolvem o estudo detalhado e a integração de diversos fatores, como: percepção, coordenação, respiração, auto-controle etc.

    KAKUTO NO BUJUTSU

    É uma disciplina significativa do Bugei, que representa a forma e a realidade da guerra.
    Kakuto significa “lutar, agarrar, combater”; e Bujutsu, “arte de guerra”. Foi definida, posteriormente, pelos mestres como a “arte de guerra voltada à realidade”.

    Desde os primórdios, as técnicas de guerra possuem uma visão muito diferente das situações vividas dentro das teorias e práticas de um dojô, por isso as escolas tradicionais guardam, em um currículo denominado “Okuden”, as formas reais e aplicativas.
    O Kakuto no Bujutsu teve sua ascensão principalmente na era Tokugawa, quando as guerras e conflitos eram mais constantes.

    A formação psicológica proporcionada pelo Kakuto no Bujutsu possibilita ao praticante uma percepção da realidade de guerra, que se diferencia da prática conduzida por um professor, instrutor ou mestre.

    A forma tradicional direcionada para fins da realidade de guerra inclui a utilização de qualquer objeto que esteja disponível em uma batalha. Sendo assim, a guerra não possuía regras nem mandamentos que exigissem que fossem utilizadas estas ou aquelas armas.

    Dentre os mais famosos nomes, se encontra Takuji Sato, que viveu no final da era Tokugawa, exatamente no período de transição com a era Meiji, que restauraria anos depois as artes de Koryu transformando-as em Gendai Budo, que é uma forma mais apropriada para a educação, e não para a guerra.Acredita-se que somente as linhagens detentoras das artes determinadas Koryu é que ainda possuem tal matéria. O Bujutsu, de forma geral, sempre se preocupou com a realidade vivida em seus ensinamentos, e talvez essa seja a maneira mais apropriada de explicar a criação de tantos Ryu, já que a cada dia o aprendizado era executado e ensinado de maneira diferente da forma inicial.

    Algumas escolas optaram por ensinar a forma tradicional, imutável, e foram posteriormente reconhecidas pela manutenção da tradição e cultura.

    Outras preferiram ensinar o Kakuto no Bujutsu de maneira livre e vivencial.

    De uma forma ou de outra, são poucas as escolas e estilos que ainda se preocupam com essa matéria, que tem formas de ensinamento muito peculiares e características, sendo fácil para um mestre perceber alguma fraude ou algo parecido.

    Por mais que tenha evoluído, a metodologia aplicada no Kakuto no Bujutsu ainda é a mesma de sua origem.

  • DOWNLOAD

    LIVRO – MUSASHI – EIJI YOSHIKAWA – VOLUME 01

     

    LIBRO – MUSASHI – EIJI YOSHIKAWA – VOLUME 02

     

    LIVRO – MUSASHI – GORIN NO SHO

    LIVRO – SUN TZU – A ARTE DA GUERRA

     

    LIVRO – SAMURAI – A HISTÓRIA DE UM KAMIKAZE

     

    DOCUMENTÁRIO SOBRE ESPADAS SAMURAIS

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    VÍDEOS DE KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN & OKINAWA KOBUDÔ

    KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN KIHON GEIKO BÔ


    KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN IDOGEIKO BÔ


    KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN KATA BOJUTSU SHODAN


    KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN KATA SHINJUTSU BÔ


    KOBUDÔ KYOKUSHINKAIKAN KIHON GEIKO TONFA & NUNCHAKU

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